terça-feira, 30 de junho de 2015

Sobre um encontro celeste


La no céu alto
Em imagináveis distâncias
Vênus encontra Saturno,
Além das barreiras limitadas do amor humano
Na sideral nebulosa cósmica
No vazio espaço, os gestos mudos falam de amor
Amor quente, centro de estrela, beijo de mulher
Talvez um encontro esperado por milhões de anos,
Talvez apenas um dia.
Espera por você passar, espera por você me olhar
Talvez, apenas espera.
Espera na rua de tua casa.
Mas, não falo a tua língua,
Nem moro em tua rua.
Lá no céu alto
Vênus corteja Saturno,
Dança frenética de amor.
Enquanto a Via-Láctea transa a suas corres.
Como eu queria morar em tua rua
Ser teu satélite,

E ter você nua.


Lima de Vasconcelos

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Pareidolia


A nuvem emblemática retorce-se toda no céu
De repente assume a forma de Jesus Cristo,
Fé suspensa no ar,
Esperança para os corações tristes
Que se acaba ao leve sopro de um vento maroto,
Fé perdida
Vento mau.

De repente a nuvem sobe para a áurea do sol
Se molda em forma de mulher
Amante, namorada, esposa
Seios despidos de nuvens,
Sorrisos soltos,
Pernas que se afastam lentamente com o leve balançar da brisa
Corpo que se desfaz e se refaz.

A nuvem além do horizonte
Assume forma de anjo
As pessoas se amontoam
Para encher seus corações de esperança,
O dono do anjo de nuvens
Sonho abstrato de ícaro
Atento observador
Cobra ingressos
Ingressos para renovar a fé
Ingressos para estar mais próximo de Deus,
O anjo porém, triste
Se desfaz em chuva,

Chuva triste, com longas gotas de silêncio.

Lima de Vasconcelos

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Dissonância social


Não posso dançar valsa
Enquanto o mundo toca para mim Rock and roll

Não posso falar em sentimentalismo
Enquanto o mundo me recita vandalismo
Não posso escrever poesia
Enquanto o mundo ler pornografia

Não posso falar em amor
Apenas ensaiar meu protesto tímido de dor.

Não posso sentir alegria
Não posso pensar em filosofia
Enquanto o puro se transforma em orgia.

Não posso cantar minha canção
Não posso falar de coração
Não posso falar de meu amor
Não posso falar de minha dor

Apenas cantar meu Rock and roll.


Lima de Vasconcelos

quinta-feira, 24 de abril de 2014

ema sem po


Pele sem “p”
Fica ele
ele com “t”
Fica tele.
Sapato sem sapa
Fica “to”
“to” sem “o” fica “t”
“t” com ele
Fica tele
E tele sem Lily
Fica sozinho.

Democracia sem demo
Fica cracia
cracia sem cr
Fica quase azia,
E remédio para azia
É antiácido com água fria.

A vida sem tristeza
Fica mentirosa e sem beleza
Beijo sem sacanagem,
Fica sem graça e vira bobagem
O mundo sem poesia
Fica tristonho e sem alegria

Ricardo sem ela
Fica sozinho como tele
Um homem sem sua paixão
Fica se matando com as próprias mãos.

E a política sem deslealdade
Fica agendada para o dia
De são nunca de tarde.

Lima de Vasconcelos

segunda-feira, 17 de março de 2014

Versos ao luar


A noite como sempre
Manifesta-se para mim,
A sua densa e avassaladora força,
Reduzindo-me a poeira do esquecimento,
Eu bem sei do esmagador peso da atmosfera que brilha
Como pálio endoudecido de luminosidade sideral
Sobre a minha têmpora de tristeza,
Pois em ti noite, desejado ser feminino
Eu tenho o meu medo,
Eu tenho a minha solidão,
Para ti não faço mais versos ao luar,
Nem cantarei a sinuosidades do teu belo corpo,
Pois tu me calastes,
Calaste-me com a tua desatenção
E tua pequenez em torno do verbo amar.



Lima de Vasconcelos

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

O poeta lutador



Rabisco esta poesia sem me exultar
Com meu coração cansado e fragueiro
Que enfim se rendeu a literatura,
A face por inteiro.

Meus momentos de amor
Que a poesia dediquei
Minha luta; percebo que falhei.

Meu cavalo branco, meu escudo de bronze
Minha espada brilhante de minhas mãos escorreu.
Os heróis, os poetas
Morreram de solidão
E vocês não têm mais a quem perseguir.

O poeta não o espere
Ele está morto
Não nascerá mais,
Não mais fará poesia

Para um mundo não renovável.


Lima de Vasconcelos

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Setembro


Não sei dizer quão longe o teu abraço me levou,
A quais caminhos me conduziram as tuas mãos,
Calor feminino inibido em teu corpo adolescente
Acentuada delicadeza, definida em tua voz
Que mesmo com os teus poucos natalícios
Manifesta-se serenamente sedutora.

Teu sorriso que é belo, fez-me cativo de ti
Fez-me cativo de tua beleza, e de tua presença.
Eu que por ti, tanto errei, errei nas palavras...
Errei nas ações... enfim, errei por te amar.

Mas como esquecer, a quem todas as manhãs
Antes do despertar dos primeiros sentidos,
Já tenho a imagem desenhada em minha mente?
Pois das mulheres que beijei, algumas desejei
Mas amar, só amei você que somente abracei.



Lima de Vasconcelos