quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Sobre uma mulher




Ser de meus desejos
Paisagem por onde caminham minhas mãos
Perdidas em suas curvas,
Sou teu escravo da tribo dissidente
Você é minha “carrasca” dos seios ardentes.


Lima de Vasconcelos

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Aceitação





Ver, Ricardo o teu poema é feio
E a ele está ligado o seu impasse,
É inelutável insistir ou lutar
É inelutável revoltar-se, ou fechar-se,
Pois sozinho não pode fazer outro quilombo dos palmares.
Aceite o aniquilamento
Aceite a injustiça
Aceite os erros do mundo,
Pois sabes que aceitando-os
Torna-se normal
E isso lhe faz esquecer a dor.
Aceite a corrupção,
Pois aceitando-a
Dará anistia
Aos erros divinos da política.
Ver Ricardo, aceite a morte
Pois aceitado-a você se sentira mais mortal
E isso lhe impedirá o trabalhar de envenenar-se

Lima de Vaconcelos

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Soneto nostálgico




No silêncio vazio dessa tarde
Envolto em velhas lembranças
Sonhei que ainda era criança,
Correndo e brincando à bonança.

Era talvez o mês de maio de 2012,
Envolvido em um abraço caloroso
Sentei-me acolhido pela sombra
De um velho pé de amargoso.

De repente, voltei ao ano de 1986
Me vi criança e pequeno rebento
A dormir sossegado o contentamento.

Hoje sou como um solitário albatroz
Que luta sozinho sua batalha
Em dias de tempestade feroz.


Lima de Vasconcelos

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Sobre o pensamento

O Pensador  de Auguste Rodin

Grande besteira é pensar,
O mundo move-se sem pensamentos,
E os que nele vivem
E deslocam-se com seus impensáveis movimentos
Se refletirem,
Tornam-se mutações
Perante a não cogitável realidade.

Lima de Vasconcelos

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Definição HD



Preso em alguns conceitos,
Olho para as sombras nas ruas de minha cidade
Estendidas sob o sol das 12h00min,
Os homens voltam contentes para casa
Assobiando o mundo que se perde,
Outros voltam sérios, de postura garbosa
Contando dinheiro, e ruminado ações financeiras
- Preço da vida com lhe comprar?
Outros voltam tristes malogrando-se
Sobre o dia sem cor e sem nexo.
E todos compram biscoitos
Perdem a liberdade
Mais ganham brindes em suas embalagens.
Quão doce é a manipulação das mentes
E todos querem doces
Vermelhos
Amarelos
Azuis, brancos e pretos.
E todos os problemas do mundo tornam-se resolvíveis
No interior de uma caixa de biscoito
A corrupção
O péssimo sistema de saúde pública
O desmatamento
O desemprego
O precário sistema de educação
A mortalidade infantil...
E todos os problemas tornam-se resolvíveis
Ao som da bandinha da TV
E todos os problemas tornam-se resolvíveis
Ao ritmo de um reality show
Onde o público é conduzido a um "nirvana" acéfalo
E com isso o mundo torna-se perfeito
O homem cego
A Mulher cega
O velho cego
A criança cega
A sociedade omissa.
E tudo se resolve
E tudo se resolve.


Lima de Vasconcelos

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Teu ojetivo

 

Você um dia será,o que desejás ser,
Que o fracasso não descubra o teu objetivo,
Desse humilde mundo empobrecido,
Porém o saber, estar livremente escolhido.

O saber domina á inteligência e conquista a invisível força,
Ela concretiza os pensamentos atuais,
E comanda a circunstância da vida,
Pois troca a ansiedade pela a sobrevivência.

Á vida humana numa intelectual Inteligência,
Originada de alma psicológica,
Abrindo caminhos para o mérito profissional,
Embora a tantos obstáculos têm o ponto final.

Não fiques triste á longa caminhada,
Sempre suportando e compreendendo,
Mesmo quando á alma do saber se ergue para o futuro,
Que um dia irás te tirar de um aperto em apuro.

Luivan Caetano

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Torrentes lembranças


Era o mês de maio de uma tarde qualquer de um dia de marasmo, as nuvens volviam-se sobre a terra compostas por uma tonalidade vermelha transcendendo para um tom amarelo em contraste com um cinza cálido, as nuvens anunciavam que ia chover, mas, não diziam quando, o tempo estava disperso dentro de uma moldura estática que transcendia ao final da tarde. 
Envolvido pelas linhas que compunham a paisagem, deixei-me levar por um estado de cogitação, o qual condicionou minhas pernas a uma fuga involuntárias, pelas ruas de minhas lembranças, caminhei pela avenida de minha eterna infância, me vi criança, pequeno rebento a correr e brincar o contentamento, e como que cada posso dado fosse uma viagem no tempo seguir pelas emoções adentro, lembrei-me dos meus antigos sonhos que as forças tempestuosas da vida me fizeram abandonar, lembrei das coisas hoje tão pequenas que me fizeram chorar, dos momentos tristes, do meu momento de dor, das marcas de um passado que em mim ficou, de repente, no meio da caminhada, minhas pernas me levaram ao encontro de um eu ausente, quem era aquele garoto que brincava e sorria? Sua face sumia entre velhas lembranças já turvas pelo tempo, e aparecia em meu rosto refletido no espelho da vida, no reflexo não havia mais aquele sorriso, nem aquele olhar, é como que alguma coisa, lhe fizesse sofrer. Sem muito entender esse momento de minha caminhada seguir adiante, novamente me encontrei, dessa vez, mais desconfortante, me vi amando e fazendo versos para um fracassado amor, as palavras eram belas, mas o dia era feio, as flores estavam murchas e as pessoas tinham um sentimento egoísta e singular em seus rostos, que diziam: “- Ama o podre, ele está na moda, e está na moda é belo, queima a última árvore, novas casas nascem do chão, pra que Deus, se nós já amamos a corrupção”, muito triste e decepcionado com meus semelhantes seguir novamente minha caminhada, dessa vez quis fazer uma maior jornada, quem sabe rever alguma pessoa amada, de repente fui acordado por um barulho que soou como uma chibata, acordei eram 3:30 da manhã, tomei um café que eu mesmo preparei, li alguns versos de Drummond, olhei para minha cama, fiel companheira, e voltei a dormir entorno das névoas de minhas lembranças que saiam de meus ouvidos, como torrentes chuvas de maio.



Lima de Vasconcelos


quarta-feira, 20 de junho de 2012

Acéfalomania


Quadro gigante acefalo Max Ernest


A rua está cheia de notícias
É preciso lê-las, é preciso ouvi-las.

As roupas estão cheias de mensagens
É preciso obedecê-las é preciso segui-las.

A moda está cheia de tendências
É preciso abandonar a mim mesmo
É preciso abandonar meu orgulho,
E render-me ao aniquilamento por completo
Pois, é preciso segui-la.

As músicas estão cheias de frases desconexas
É preciso ouvi-las, é preciso cantá-las.

É preciso!

É preciso!

Eu preciso, preciso bem mais que preciso sim
Pois preciso! E preciso
Não ser dono de mim.

Lima de Vasconcelos