segunda-feira, 18 de novembro de 2013

O poeta lutador



Rabisco esta poesia sem me exultar
Com meu coração cansado e fragueiro
Que enfim se rendeu a literatura,
A face por inteiro.

Meus momentos de amor
Que a poesia dediquei
Minha luta; percebo que falhei.

Meu cavalo branco, meu escudo de bronze
Minha espada brilhante de minhas mãos escorreu.
Os heróis, os poetas
Morreram de solidão
E vocês não têm mais a quem perseguir.

O poeta não o espere
Ele está morto
Não nascerá mais,
Não mais fará poesia

Para um mundo não renovável.


Lima de Vasconcelos

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Setembro


Não sei dizer quão longe o teu abraço me levou,
A quais caminhos me conduziram as tuas mãos,
Calor feminino inibido em teu corpo adolescente
Acentuada delicadeza, definida em tua voz
Que mesmo com os teus poucos natalícios
Manifesta-se serenamente sedutora.

Teu sorriso que é belo, fez-me cativo de ti
Fez-me cativo de tua beleza, e de tua presença.
Eu que por ti, tanto errei, errei nas palavras...
Errei nas ações... enfim, errei por te amar.

Mas como esquecer, a quem todas as manhãs
Antes do despertar dos primeiros sentidos,
Já tenho a imagem desenhada em minha mente?
Pois das mulheres que beijei, algumas desejei
Mas amar, só amei você que somente abracei.



Lima de Vasconcelos

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Coração noturno


Os sons distorcidos me entendem
Uivos de raposas perdidas, que ecoam no vago espaço em meu coração
Amo a noite com seu silêncio, e sua tristeza
Amo as estrelas, que se desenham em forma de lágrima no céu,
E ao som de Agalloch a noite vai se tornando cada vez mais distante
Distante, distante e distante.
Distante os pássaros noturnos cantam,
Indecifráveis cantos, de morte ou de vida?
No teto do meu quarto vejo rosto de mulheres,
Alguns conhecidos, outros completamente desconhecidos.
Risos femininos tornam a noite densa,
Talvez uma eterna meretriz a vangloriar-se
Das dores causadas por sua voz satânica de sereia.
As luzes tornam-se distante,
E aos poucos vão apagando-se lentamente como vaga-lumes doentes,

Parece que sou eu o único ainda acordado?

Lima de Vasconcelos 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Ao sinal do semáforo




Um homem cruzou a rua
Olhou timidamente de um lado para o outro
E simplesmente cruzou a rua
Lento como a noite apenas cruzou a rua
Buscou em seu bolso, ou em si mesmo, um cigarro
Acendeu-o calmamente
Calmamente o fumou.
Calmamente cruzou a rua
Do outro lado nada o esperava
Apenas cruzou a rua
Apenas cruzou a rua
Apenas cruzou a rua
Cruzou a rua
A rua 


Lima de Vasconcelos

segunda-feira, 1 de julho de 2013

O bêbado e o desequilíbrio


Ontem não foi o passado
Do qual me orgulho de lembrar
Nada foi escrito, só apagado.

Ontem! Foi nada
Tudo é hoje!

Talvez uma taça quebrada,
Ou mesmo um copo espedaçado
Válvula de escape para o veneno
Antes para fora, que aqui para dentro.

E os beijos que dei,
Eles não ficaram em mim,
Só o lembrar atordoado desse dia

Que agora por diante, vou ter com agonia.

Lima de Vasconcelos

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Abandono


A noite chega calma
Com suas incertezas e suas manifestações entorno do silêncio
Eu sei que estou sofrendo enquanto alguém ri na noite espaça.
Afrodite eu sei do teu ódio por mim
Eu sei do teu silêncio
Eu sei de tua omissão.

Pois eu sei que a rosa vermelha possui em sua essência todas as corres menos o velho.

Lima de Vasconcelos


quinta-feira, 2 de maio de 2013

Tua presença feminina



Teu sorriso tem qualquer coisa de sereno e de fiel
Tem qualquer coisa de singelo de criança e de mulher,
Teu abraço tem qualquer coisa de acolhedor e feminil,
Tem qualquer coisa de belo e caloroso.

Eu que diante de ti, me vejo perdido nas ondas dos teus cabelos,
Naufrago de tua ilha, vejo-me a buscar em ti um sorriso.

Amo o teu suave gesto, que se manifesta na timidez do teu olhar
Palavras meio que perdidas que se formam em versos em tua boca
Você que tem da delicadeza, tua confidente amiga que lhe molda os contornos acentuados do teu corpo feminino.
Linhas que se cruzam em forma de flor campestre
Linhas que desenham a mais feminina de todas as mulheres,
Como poeta admiro-te como pessoa
Como homem te desejo como mulher.


Lima de Vasconcelos

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Perfume feminil



Cai a noite

Com suas ilusões perpendiculares (lanças que tocam o calcanhar de Aquiles).

Cai o poeta

Com seus inúteis sonhos, e seus inúteis balaios de sentimentos, vogas perdidas, palavras perdidas, dores lancinantes, seu momento de pouca fé e sua insignificância!

Caem os sentimentos antes entendíveis

Caem os sorriso suspensos e guardados nos velhos cabides da alma

Caem as folhas, imponentes e envergáveis ao vento

Caem as lágrimas, caem as expectativas entorno do amor

Pois a noite é fria, e o amor, ah! o amor, esse estranho ser que me faz amar.

Esse estranho ser que me faz santificar e endeusar tão vulgar presença, que se abre para os membros daqueles que comungam com a estupidez e a burrice humana.

Enfim tudo cai, tudo que manifesta uma magnitude suave, sincera, fiel e amorosa.

Caem as folhas, caem os heróis, caem os sonhos

Enfim tudo cai.
Lima de Vasconcelos

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Soneto patético



De um olhar nasceu o encanto

De um sorriso, viveu o amor

Da distância se fez o pranto

E da solidão, nutriu-se a dor.


Da amizade brotou-se a paixão

De um: - oi, se fez uma declaração.

O nosso amor é impossível

Nunca seremos um, sempre seremos dois.


Se eu a encontro na escola

Me distraio e perco a hora;

Mas você não me ama, e agora?


Amo-te sem conhecer o porquê

Espero-te sem saber para quê,

E então, o amor serve de quê?





Escrito em uma noite de junho de 2004
Lima de Vasconcelos