quinta-feira, 26 de junho de 2014

Dissonância social


Não posso dançar valsa
Enquanto o mundo toca para mim Rock and roll

Não posso falar em sentimentalismo
Enquanto o mundo me recita vandalismo
Não posso escrever poesia
Enquanto o mundo ler pornografia

Não posso falar em amor
Apenas ensaiar meu protesto tímido de dor.

Não posso sentir alegria
Não posso pensar em filosofia
Enquanto o puro se transforma em orgia.

Não posso cantar minha canção
Não posso falar de coração
Não posso falar de meu amor
Não posso falar de minha dor

Apenas cantar meu Rock and roll.


Lima de Vasconcelos

quinta-feira, 24 de abril de 2014

ema sem po


Pele sem “p”
Fica ele
ele com “t”
Fica tele.
Sapato sem sapa
Fica “to”
“to” sem “o” fica “t”
“t” com ele
Fica tele
E tele sem Lily
Fica sozinho.

Democracia sem demo
Fica cracia
cracia sem cr
Fica quase azia,
E remédio para azia
É antiácido com água fria.

A vida sem tristeza
Fica mentirosa e sem beleza
Beijo sem sacanagem,
Fica sem graça e vira bobagem
O mundo sem poesia
Fica tristonho e sem alegria

Ricardo sem ela
Fica sozinho como tele
Um homem sem sua paixão
Fica se matando com as próprias mãos.

E a política sem deslealdade
Fica agendada para o dia
De são nunca de tarde.

Lima de Vasconcelos

segunda-feira, 17 de março de 2014

Versos ao luar


A noite como sempre
Manifesta-se para mim,
A sua densa e avassaladora força,
Reduzindo-me a poeira do esquecimento,
Eu bem sei do esmagador peso da atmosfera que brilha
Como pálio endoudecido de luminosidade sideral
Sobre a minha têmpora de tristeza,
Pois em ti noite, desejado ser feminino
Eu tenho o meu medo,
Eu tenho a minha solidão,
Para ti não faço mais versos ao luar,
Nem cantarei a sinuosidades do teu belo corpo,
Pois tu me calastes,
Calaste-me com a tua desatenção
E tua pequenez em torno do verbo amar.



Lima de Vasconcelos