segunda-feira, 17 de março de 2014

Versos ao luar


A noite como sempre
Manifesta-se para mim,
A sua densa e avassaladora força,
Reduzindo-me a poeira do esquecimento,
Eu bem sei do esmagador peso da atmosfera que brilha
Como pálio endoudecido de luminosidade sideral
Sobre a minha têmpora de tristeza,
Pois em ti noite, desejado ser feminino
Eu tenho o meu medo,
Eu tenho a minha solidão,
Para ti não faço mais versos ao luar,
Nem cantarei a sinuosidades do teu belo corpo,
Pois tu me calastes,
Calaste-me com a tua desatenção
E tua pequenez em torno do verbo amar.



Lima de Vasconcelos