segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Aceitação





Ver, Ricardo o teu poema é feio
E a ele está ligado o seu impasse,
É inelutável insistir ou lutar
É inelutável revoltar-se, ou fechar-se,
Pois sozinho não pode fazer outro quilombo dos palmares.
Aceite o aniquilamento
Aceite a injustiça
Aceite os erros do mundo,
Pois sabes que aceitando-os
Torna-se normal
E isso lhe faz esquecer a dor.
Aceite a corrupção,
Pois aceitando-a
Dará anistia
Aos erros divinos da política.
Ver Ricardo, aceite a morte
Pois aceitado-a você se sentira mais mortal
E isso lhe impedirá o trabalhar de envenenar-se

Lima de Vaconcelos

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Soneto nostálgico




No silêncio vazio dessa tarde
Envolto em velhas lembranças
Sonhei que ainda era criança,
Correndo e brincando à bonança.

Era talvez o mês de maio de 2012,
Envolvido em um abraço caloroso
Sentei-me acolhido pela sombra
De um velho pé de amargoso.

De repente, voltei ao ano de 1986
Me vi criança e pequeno rebento
A dormir sossegado o contentamento.

Hoje sou como um solitário albatroz
Que luta sozinho sua batalha
Em dias de tempestade feroz.


Lima de Vasconcelos